"Eu não ganho nada escrevendo pra você. Se alguém me pagasse um centavo por cada linha que contém seus traços, acredite, eu estaria milionária. O problema é que eu não ganho nada e, ainda assim, cismo em escrever - pra você, por você, com você. Palavras não vão te trazer de volta, eu sei. Não importa quantos parágrafos eu digite ou quantas estrofes eu rabisque no papel, nada nunca vai ter o tamanho e a intensidade do que eu quero te dizer. Nenhuma frase tem tanta ênfase na dor que eu quero expressar. Veja só, escrever não me deixa menos infeliz ou com mais vontade de viver. Escrever não te coloca novamente do meu lado ou ameniza a saudade que teima em arder. Mas, de certa forma, é escrevendo que eu encontro um pouco de conforto em dias tão vazios longe de ti. Talvez não seja as pontas dos meus dedos que te redigem, talvez seja você quem transforma as pontas dos meus dedos. Analise com atenção as palavras que cospem da minha boca e as que saltam no papel: todas elas contém um pouco de você, do que éramos, do que tínhamos, do que fomos, de nós dois. Não importa se é sobre os seus olhos castanho-mel, sobre o seu cabelo preto bagunçado ou sobre os seus lábios finos. Todos os meus textos disfarçados em versos, todas as minhas poesias camufladas em texto e todos os meus poemas com alma de frase são sobre você. Eu juro que tento, de verdade, escrever sobre qualquer outra coisa ou agarrar qualquer pensamento avulso que não envolva o teu cheiro, o teu caminhar e a tua gargalhada, mas é impossível. Se falo sobre o céu, diretamente também falo sobre como era bom passar as tardes de quinta-feira deitada na grama admirando os formatos das nuvens com você. Se rio de uma piada, automaticamente penso em como eu gostaria de contar ela pra você e ver o seu sorriso de 32 dentes esbranquiçados se aflorar. Percebe o tamanho da ironia? Eu não quero escrever, pensar ou falar de você, mas de certa forma você me escreve, me imagina e me forma. Você me desenha, me adivinha, me tem. Às vezes as palavras fluem com o sibilo do coração. Eu penso em te telefonar toda noite, dizer como foi meu dia e perguntar como foi o seu, como se nada tivesse acontecido, e ao invés disso escrevo. Escrevo porque sei que não aguentaria algo cara a cara, tipo, olho no olho. Escrevo mesmo sabendo que as probabilidades de você ler sejam mínimas. Escrevo porque pede o coração e insiste a alma. Eu te escrevo, te imagino e te formo. Eu te desenho e te adivinho, só não te tenho. Como já disse, não recebo por te compor, mas me dá uma força danada e preenche o coração de coisa boa. E preenche o coração de amor. Amor quietinho, que não exige palco e nem platéia. Amor simples. Amor que não cabe no verbo amar."
"Você é um homem. Esse é o ponto principal de todo o problema. Homem, assim, com a primeira letra maiúscula até demais. Não, você não é homem porque tem barba, fuma e está no meio da faculdade. Você é homem porque a sua forma de pensar é de um homem, você fala como homem e age como um homem. Diferente de todos os menininhos babacas e infantis que costumam atravessar a minha vida, enchendo a minha cabeça de dúvidas e angústias desnecessárias, você vai direto onde anseia alcançar, sem rodeios, sem risos, sem pausas. Você é homem porque sabe ser sério quando é preciso ser sério, assim como sabe rir quando é preciso dar uma ou outra gargalhada. Meu Deus, eu não posso ter um homem nas mãos. Ainda mais se tratando de um homem com todo esse porte e ombros largos e olhos meio esverdeados que você tem. Eu sou apenas uma menina boba e frágil que ainda chora escondida por se achar desinteressante e insignificante demais. Não posso, não quero e não tenho estrutura pra carregar um homem. A minha pose de mulher acaba quando eu preciso demorar duas horas escolhendo uma roupa e mais três fazendo um boa maquiagem pra ficar a sua altura, mesmo você calçando chinelos maiores que os seus pés e vestindo um moletom azul-marinho-desbotado. Eu sou pequena demais comparada ao tamanho que tem todo o seu abraço. Os seus braços me envolvem com muita facilidade, as suas palavras me acalmam com muita doçura, o seu sorriso ilumina a angústia que me ronda em questão de segundos. Isso é coisa de homem. Menino nenhum consegue ter a firmeza que você possui em cada palavra ou a segurança que você exala a cada passo quando caminha. Eu estou acostumada a domar garotos, não a ser domada por homens. Perdoa todo esse meu mal jeito em lidar com tudo isso, por favor. Amar um cara como você é como amar milhões de menininhos infantis ao mesmo tempo, mas que, ao contrário deles, o sentimento é sério. Parece que quando se trata de homem - homem de verdade - o amor dobra de tamanho, a intensidade triplica e o medo se alastra. Se cair de um prédio de ilusão por um garoto machuca, imagina cair de um arranha-céu de ilusões por um homem? Tenho medo de sair machucada, destroçada e despedaçada dessa história. Porque, você sabe, homens constroem história, enquanto meninos fazem apenas contos. E o meu maior medo é fazer parte de uma história onde o meu melhor não é considerado sequer bom. Eu tenho calafrios só de pensar que estou entrando em um labirinto com muros altos demais pra fugir quando o céu desabar. Você entende, não entende? Homens costumam entender esse tipo de coisa. Espero que você releve esse meu lado-menina-bruto-de-ser. Não sei se estou pronta pra ser lapidada. Ser mulher é difícil e trabalhoso, eu sei, mas amar você é como enfrentar leões gigantescos diariamente. O problema é que eu estou começando a achar os leões pequenos demais."
"Na quinta série, com oito ou nove anos, eu gostava de um garoto chamado Caíque. Em outras palavras, eu tinha uma paixonite pelo garoto mais cobiçado do ensino fundamental. Ele tinha os cabelos pretos e algumas sardas no rosto. Outra garota de nome estranho, Annelise, gostava dele também. A Annelise era uma dessas garotas de cabelo liso até o ombro, que usava um óculos de grau sexy e tinha o corpo bem mais avantajado do que todas as outras garotas da idade dela. Eu, por exemplo, era uma delas. Sempre fui magrela e desengonçada, cabelos nem lisos, nem cacheados. Uma beleza que não tinha beleza alguma. Minhas roupas não eram estilosas e as minhas amizades não eram populares. Enquanto a Annelise ganhava roupas caras todo final de mês e já pintava as unhas de um rosa mais escuro, eu mal tinha todas as cores de lápis de cor no meu estojo. Mas uma coisa que a Annelise e suas amigas de nariz empinado invejavam muito, eu tinha: olhos verdes.
Acho que no meio da aula de Geografia ou Português, não lembro ao certo, o Caíque disse achar muito bonito garotas que tinham olhos verdes. Automaticamente o grupinho de meninas despojadas olharam pra mim, mas isso não queria dizer que ele gostasse de mim, queria? O importante era que eu tinha algo que elas não podiam ter ou roubar ou pegar emprestado. Pela primeira vez na vida eu me senti no topo de todos os topos em relação à Annelise e a sua tropa. O garoto que eu gostava, gostava de uma coisa que era minha.
Daí eu tive uma ideia. Resolvi ficar amiga do Lucas, melhor amigo do Caíque. O Lucas já tinha vindo pedir borracha e caneta azul emprestada pra mim duas ou três vezes. Baixinho, cabelo cacheado, pele branca da cor do leite, olhos castanho-claros e uma voz meio grossa: esse era o melhor amigo do melhor garoto do mundo. E caminhei calmamente até a mesa dele depois do intervalo e disse, sem pausas: olha, esse é o meu telefone, pode me ligar se quiser. Ele pegou o papelzinho cor-de-caderno-velho e respondeu, sorrindo, sem jeito: isso é sério? Eu disse que sim. Era sério, muito sério. Não sei o que pretendia no momento, talvez fazer ciúmes ao Caíque com o seu melhor amigo. Talvez me desapaixonar do Caíque e começar a gostar do Lucas. Não sei. Eu queria ser notada, apenas.
Pois bem, passei a tarde inteira deitada com os olhos fixos no teto, ao lado do telefone. Liga, liga, liga, por favor. Eram quase quatro horas da tarde quando aquele aparelho móvel começou a tocar. Minha vontade era de me enfiar dentro do sofá e só sair na próxima da próxima encarnação. O que eu tinha na cabeça? Dar meu telefone assim, sem compromisso algum, pra uma garoto que eu mal conhecia? Tudo bem, era o que tinha de ser feito. Com as mãos um pouco trêmulas e o coração na ponta da língua, atendi. Alô? Ah, oi, eu pensei que você não ligaria. Não, eu não estava ocupada. Então, você é amigo do Caíque, não é? O quê? Ele falou de mim? Sei, sei. Ele gosta dos meus olhos verdes. E também disse que me achava engraçada. Aham, entendi. O que mais? Ele sempre me achou interessante e delicada. Mas, espera, isso é bom?
Caíque, o garoto mais popular e bonito e legal e com cabelos pretos e gente boa e gentil e cobiçado da escola, também era tímido e não sabia lidar com garotas, assim como eu era vergonhosa e não fazia ideia de como agir com garotos. Descobri naquela tarde em que falei com o melhor amigo dele que, apesar de poder tirar o BV com qualquer outra garota da escola, ele preferia admirar uma de olhos verdes e magricela que sentava na segunda fileira da classe. Essa garota era eu. De uma forma meio absurda e estranha, o que eu sentia era correspondido. Mas, afinal, o que eu sentia? Annelise e suas colegas não tinham apenas a cor dos meus olhos, mas também não tinham a minha atitude. Descobri que o amor, pra acontecer, precisa se dar a cara à tapa. E eu nem sabia o que era amor. No dia seguinte, ao chegar na sala, avistei o garoto com sardas que fazia o meu coração sorrir. Caíque acenou com a cabeça para que eu sentasse ao lado dele, na terceira cadeira. Vamos lá, você consegue - pensei baixinho enquanto caminhava em direção ao assento. Ele sorriu, pegou nos meus dedos finos, olhou no fundo do brilho dos meus olhos, suspirou e disse, calmo: ufa, ainda bem que eu também gosto de você! Era o meu primeiro e oficial amor."
"Eu preciso que você saiba que não está sendo fácil, mas que eu estou trabalhando duro pra conseguir acelerar os passos e me estabilizar no presente. Juro que se existe outro alguém no mundo se esforçando mais do que eu, esse alguém não existe. Todos os dia eu acordo com uma imensa vontade de voltar pra cama, te ligar e fazer com que as coisas voltem a ser como eram antes. A minha maior prova de superação é que eu não faço nada disso. Lavo o rosto, escovo os dentes, tomo café da manhã e vou viver. Talvez você duvide - eu, no seu lugar, também duvidaria - que eu sigo respirando e sorrindo e me sustentando com as minhas próprias pernas sem o seu ombro de apoio. É tudo muito diferente pra mim, confesso. Tudo mudou desde que eu decidi mudar. Não sou de ferro, claro, passei por fases difíceis e enfrentei chefões que jamais pensei em derrotar. Mas os derrotei. Chorei durante três horas seguidas, todas as noites, com a maior dor mundo alojada no peito. Até que um dia, passou. Essas coisas não são esquecidas de uma hora pra outra, é preciso ter paciência pra ir deixando pra trás o que merece ser deixado pra trás. Estou conseguindo, aos poucos, enterrar tudo o que a gente viveu. Não é possível apagar ou tirar completamente da memória, eu sei, mas com o tempo descobri que é capaz de lembrar sem sentir uma vontade gigantesca de se despedaçar por inteiro. De qualquer forma, me sinto orgulhosa de mim. Cheguei em lugares que nunca havia pensado alcançar sozinha. Lugares que eu pensava serem acessíveis apenas com você. Talvez a melhor descoberta que eu tenha feito nesses últimos tempos de viver-por-mim-mesma tenha sido que, na verdade, eu nunca precisei de você ou de qualquer outra pessoa pra nada. O amor, a carência e o afeto eram como drogas que me mantinham presa a algo que eu nunca precisei me prender. Olha, de todas essas coisas que você poderia ter me ensinado, a melhor e mais significativa delas foi ter feito eu ser por mim o que sempre fui pros outros. E antes de nutrir qualquer raiva pelo que você tenha me feito passar, antes de tudo eu preciso te agradecer. Obrigada por ter me feito ser uma pessoa menos tola, menos burra e menos dependente. Hoje eu sou alguém melhor e os créditos, de qualquer forma, são seus."
"Anna,
eu juro que não sei ao certo o motivo de estar te escrevendo agora. Quer dizer, saber eu sei. O que eu não sei é o porquê de eu estar colocando isso em prática. Você sabe melhor do que ninguém que eu nunca fui de rabiscar alguns poemas nos versos das folhas ou transcrever pensamentos em palavras e mais palavras como você costumava fazer. Eu admirava isso, sabe, esse seu dom de se expressar tão detalhadamente em palavras. Muitas vezes eu preferia que você me contasse algo escrito à me falar, pois a história se tornava bem mais interessante e engraçada - ou trágica. Entretanto, o meu papel sempre coube ao leitor, ao curioso que buscava te desvendar por trás de linhas bagunçadas. Hoje estamos trocando os papéis. Veja só, o remetente dessa vez sou eu. Veja bem, as coisas mudaram - pra melhor? Não sei, mas mudaram. Se isso ficar entediante ou monótono demais, por favor, não me culpe. Releve as minhas mãos trêmulas e o meu não jeito de saber lidar com um papel em branco. Nesse aspecto - em todos eles - você consegue ser inigualavelmente melhor.
Espero que você não tenha caído na rotina e passado todos esses meses reclamando disso. Espero, de coração, que você esteja feliz. Acho que nunca desejei isso tão diretamente a alguém quanto estou desejando a você. Penso que de todas as pessoas do mundo, de todas as sete bilhões de almas formidáveis que existem nas ruas, de todos os corações bombeantes de fluxo sanguíneo, você é a única pela qual vale a pena abdicar a minha felicidade. Talvez eu nunca tenha lhe dito isso, Anna, mas você é diferente de todo o resto. Tudo se torna um simples resto quando comparado ao tamanho de caráter e personalidade que você carrega nesse pouco um metro e sessenta e cinco de altura. Eu não estou aqui para me reprimir ou me humilhar, nem inflar o seu ego ou lamentar o fim do que nunca teve, de fato, um fim. Eu quero que você leia isso e que guarde no mais belo e fundo que tenha dentro de si. Não feche a cara, Anna. Eu sou capaz de sentir que ainda há algo de muito bom guardado dentro de você. O seu diferencial é totalmente exótico em relação a todos os outros diferenciais que difere as outras pessoas delas mesmas. Eu odeio essa coisa que você tem, mesmo sem saber o que é. Porque, em todos os casos, foi por essa coisa que eu me apaixonei. E eu sempre odiei o amor.
Quando aquelas suas crises existenciais resolverem acabar com a sua auto estima, acabar com as fotos que ainda restam no fundo da sua caixinha lilás e com o seu sorriso de 32 dentes brancos, pensa que em algum lugar do mundo, existe alguém que está a sua procura. Em alguma curva do globo terrestre existe alguém feito pra amar você, com toda essa bagagem de pesos e sonhos e lágrimas e essas coisas que você insiste em carregar. Esse alguém não sou eu, Anna. Nunca foi. E não é porque o nosso amor não foi épico e com cupidos floridos que você precisa se sentir a pior pessoa do mundo. Olha, eu confesso que sinto falta do seu humor diário e das suas pidas sem fundamento algum, mas chegou a hora de olharmos pra frente. Sempre faremos parte um do outro, o tempo não mudará isso. Mas, por favor, não encare isso como uma despedida ou a quebra de um laço. Eu continuo amando você, Anna. Tenho certeza disso. Mas também tenho a certeza de que eu não sou o cara que merece escutar o mesmo vindo de você."
"Era visível que não duraria muito tempo. Sabe, essa coisa de conto-de-fadas-cercado-por-amor-verdadeiro. Acredito que chuva cai do céu, mas amor não. Amor não se encontra, se acha. E você está mais para aquela coisa que a gente esbarra quando está perdido. Não como uma pedra no caminho, mas como um muro alto no meio da estrada. Como quem anda distraído pudesse a qualquer momento bater a testa em você - no caso, comigo foi exatamente assim. Como uma rocha que possui raiz, você se mantém firme e forte preso ao chão. Esse é o problema. Eu sou o pássaro que cantarola no mais alto galho de uma árvore que você não enxerga pela simples incapacidade de olhar pro céu. Não há chances de dar certo algo que começa em direções opostas, caminhos opostos e focos opostos. Eu abro os braços pra que você corra pra dentro do meu abraço, mas os seus passos largos estão do outro lado do mundo. Eu fito a lua e você tenta acenar pra mim de Marte. Como um imã que tenta puxar uma maçã, nós dois nunca daremos certo. Não demos, pra ser mais específica. A gente se quis na medida do impossível. Isso foi admirável, de verdade. Mas não foi o suficiente, nunca é. Querer nunca é o bastante. A gente tinha que quebrar a cara pra aceitar algo que já sabíamos. Arriscamos de corpo e alma, isso também foi admirável. Não coloque a culpa no clima, no dia ruim ou no chefe do trabalho, por favor. Sejamos honestos com nós mesmos: o erro foi querer chamar isso de amor. Isso - no caso, nós - não é amor, muito menos história romântica. Não se descabele pelo óbvio, não vamos continuar insistindo em procurar uma peça que não existe. No fundo eu sempre soube que havia algo de muito errado em alguma coisa bem errada em tudo isso. Acho que eu ignorei o meu sexto sentido alertando o tombo porque, de certa forma, eu gostava de você. Por mais ridículo, masoquista e insano que fosse, eu gostava. Agora, você continua no seu emprego, empilhando caixas e mais caixas e levando duas ou três pra cama todas as quartas-feiras, enquanto eu continuo pintando as minhas unhas uma vez ao mês e amarrando o cabelo no alto cabeça. Como dois desconhecidos, como duas vidas normais que jamais fizeram parte uma da outra, como dois alguéns que nunca souberam da existência um do outro. Você continua tendo números de mulheres desconhecidas na sua agenda telefônica e eu sigo colecionando amores errados. O mundo está de volta nos eixos."
"Romeu,
escrevo isso pois uma compulsiva vontade de te ter aqui me dominou. Não que isso ocorra frequentemente, mas hoje foi inexplicavelmente diferente de todas as outras vezes. Eu senti os pelos do meu braço se eriçarem, as pernas tremerem e o coração apontar pra onde quer que você esteja. Hoje, mais do que nenhum outro dia, eu quis correr pros seus braços. Estar envolta por todo aquele um metro e meio de ombros fortes e braços de três quilômetros de comprimento será para sempre a minha-melhor-coisa-de-todo-o-mundo. Não, eu não vou pedir para que você volte, como de costume. Também não vou te enviar um E-mail ou deixar um recado na sua secretária eletrônica com voz de garçonete pornô. Te escrevo em carta algo digno de tamanho esforço e dedicação, algo que nunca foi pronunciado pelos meus lábios ou reluziu no brilho dos meus olhos. Talvez você não entenda, tudo bem. Eu, no seu lugar, também não entenderia. O que eu estou tentando dizer é que de uma vez por todas, percebi que o melhor lugar pra você repousar a sua cabeça não é o meu colo. Em outras palavras, você é melhor longe do que perto. Depois de toda a minha birra em te fazer ficar, hoje eu percebo que a melhor coisa a ser feita é te deixar ir de uma vez por todas. Por favor, não me leve a mal. Se preferir, também não me leve com você. Digo isso como amiga, companheira, conhecida ou seja lá o adjetivo que venha a me calhar na sua vida agora. Essa coisa de levar pessoas com a gente só trás pesos desnecessários em bagagens que já não são mais necessárias. Você me entende, não entende? Eu sei que não. Mas, por Deus, eu não estou dizendo que não tenha valido a pena. Valeu, valeu muito. O que nós tivemos foi algo único, lindo e nosso. O problema (ou a melhor solução) foi que passou. E talvez essa seja a coisa mais especial que eu tenha a dizer agora: eu também, enfim, passei.
Convenhamos que, nessa história de ir e voltar, você bateu todos os recordes imagináveis. Tantas vezes eu quis ir e você me pediu pra ficar. Tantas vezes você quis ir e eu te fiz desistir da ideia. E tantas vezes quisemos ir e acabamos indo, mas voltamos. A gente nunca foi um casal digno de ser chamado de casal, Romeu. É como se cada palavra minha escrita nesse papel em branco fosse em vão, pois tudo isso nós já sabemos. Não admitimos, óbvio, mas no fundo a gente sempre soube. A minha intenção não é inflar o seu ego ou algo do gênero, eu só quero que você saiba que, de alguma forma, o teu riso esquisito ecoando nos corredores que tenho aqui dentro faz falta. Corredores que só foram percorridos por você, onde só o timbre da sua voz chegou e só o teu aconchego foi capaz de esquentar. Você é um cara de palavra, Romeu. Isso é o que eu mais admiro no seu porte másculo de ser. Você nunca foi desses de prometer e sair correndo. Tudo bem, eu sei que uma das suas promessas dizia algo como “eu vou ficar com você para sempre”. Talvez você não seja tão homem de palavra assim.
Eu queria que você soubesse (mesmo sendo capaz de ver a ponta dos seus dedos percorrendo os seus lábios finos na mesma proporção em que o seu ego cresce, cresce e cresce) que eu continuo com você para sempre. Acredito que você continuará comigo por um longo tempo, também. Vai ver a sua promessa era realmente uma promessa. Cada discurso sem conter palavras, cada grito sem barulho, cada sorriso sem bocas, cada conversa sem diálogo, cada silêncio sem a ausência de som, cada você em mim. No fim das contas, eu acabo guardando tudo. Se duvidar, acabarei guardando esta carta na ultima gaveta da minha escrivaninha, assim como te guardo na última porta trancada do meu terrível e pobre coração. Continua seguindo a sua vida, falando de boca cheia e misturando as roupas na máquina de lavar. Continua batendo o dedinho do pé na quina na mesa, derrubando copos e esbarrando em jarros de flores por aí. Apenas não volte, por favor. Eu, que tanto te implorei por uma segunda chance, levanto a minha bandeira branca. Não volte. Esqueça o caminho, se perca nas direções, não lembre o número da minha casa. A gente merece bem mais do que cartas sem pontos finais. Você sabe, a gente merece."
"Me sinto constantemente inferior aos demais. Olho no espelho e enxergo no reflexo alguém incapaz de fazer algo provido de algum valor. Ou melhor, alguém incapaz de possuir algum valor. É como se qualquer pessoa do mundo - até mesmo a pior delas - pudesse ser melhor do que eu. É horrível se sentir inútil a maior parte do tempo. Ninguém me entende. Ninguém procura me entender. A indiferença do mundo cava valas diárias dentro de mim, como se eu não merecesse fazer parte dele. É difícil viver sem ter um número pra discar na madrugada e chorar, chorar, chorar. Angustiante é olhar pro lado e ver um enorme espaço vazio. É olhar pra dentro de si e ver um vazio ainda maior. Ouço por aí tantas histórias impossíveis de amores improváveis, mas tenho a certeza de que nenhuma delas se encaixa na minha vida. Aliás, que vida? Prefiro classificar isso como comodismo. Vejo sorrisos nas mais variadas bocas pelas ruas da cidade e penso comigo mesma: como pode haver tanta gente feliz e eu aqui tão triste? Algo está errado com todas elas ou - o que é mais provável - comigo. Penso no quanto a vida é boa, mas também no quanto o lado ruim que ela possui me cerca. Eu não consigo sentir o lado bom de qualquer coisa. Há algo que me impede de olhar pro futuro e ver alguma coisa promissora ou encarar uma situação e ver ela pelo lado positivo. Continuo sendo a errada, a pessimista e a que não tem nada pra oferecer. Eu não consigo realmente acreditar que alguém possa gostar de mim pelo que sou. Afinal, não sou nada. Ninguém costuma gostar de nada. Não consigo visualizar alguém me colocando na frente de si mesmo, lutando por um sorriso meu ou algo do tipo. Não consigo simplesmente por serem coisas fora do meu campo de realidade. Não sei se aos olhos dos outros sou composta apenas de defeitos ou se me faço de defeitos aos olhos dos outros. Talvez eu não passe disso: tentar ser o que os outros querem que eu seja. Eu preciso ser o que eu sou e o que quero ser, na hora em que quiser ser. Disso eu sei, o problema é saber por onde começar."
"Eu continuo torcendo secretamente pra que você não encontre em outros braços abraços mais acolhedores, nem beijos mais serenos em outros lábios. Todas as noites eu rezo pro cara lá de cima te proteger, te cuidar, te guiar. E sigo cruzando os dedos pra que o destino seja caridoso e faça os nossos caminhos se cruzarem mais uma vez em algum futuro próximo. Não encontre ninguém melhor ou mais engraçado ou com o perfume mais ameno, por favor. Continua me achando o seu par perfeito, a garota dos seus sonhos, a metade que te faltava. Lembra de mim quando escutar aquele refrão de música, quando passar perto daquele outro lugar, quando ouvir uma risada parecida com a minha, quando ver um cabelo tão bagunçado quanto o meu, quando ver uma cena de uma criança fazendo birra como eu costumava fazer. Lembra, apenas. E sorri. Mostra que ainda é bom me manter viva na sua mente, no seu coração, em você. Pensa com carinho em tudo que a gente viveu e em todo o resto que ainda vamos viver. Talvez juntos, talvez não. O que importa é que valeu a pena. Por isso, faz valer também todo o meu esforço em te enraizar aqui dentro. Pode sair, ir a festas, beijar infinitas outras garotas em uma só noite, mas continua voltando pra casa com um vazio no peito que só eu posso preencher. Continua tentando me encontrar em outros sorrisos singelos e percebendo que nenhum deles se compara ao meu. Procura, pode procurar, qualquer outra que tente ser o que eu fui. Mas continua com a ideia fixa de que nenhuma ocupará o lugar que eu ocupei. Pensa em mim, por favor, nem que seja um pouco. Eu continuo pensando em você um pouco a cada segundo."
"Eu sou uma eterna apaixonada por cheiros. Cheiros de todos os tipos, todos os aromas, todas as formas de sentir: cheiro de bebê, cheiro de chuva, cheiro de terra molhada, cheiro de pão saindo do forno. Tantos cheiros vindos de tantos lugares e de tantas situações. Gosto, sobretudo, do cheiro da pessoa que amo. E também gosto do cheiro de chocolate quente, cheiro de café, cheiro de hidratante corporal, cheiro de lavanda, cheiro de chiclete de morango e cheiro de livro novo. Eu acho que o cheiro vai muito mais além da aparência. Já me apaixonei por um cheiro e também já dormi sentindo um cheiro, assim como já decorei outros cheiros memoráveis. Nada melhor do que encostar a cabeça no ombro de alguém e sentir o cheiro - não o perfume, o cheiro mesmo - que ela tem. E, melhor ainda, ficar com o cheiro impregnado na sua roupa, no seu cabelo, na sua pele, no seu coração. Cheiros conseguem ser mais profundos e misteriosos do que abraços e beijos, afinal, estes nos atingem fisicamente, mas o cheiro alcança o que nenhum outro consegue: o cheiro atinge a alma."
"Aqui jaz um coração. Um coração surrado, maltratado, sofrido. Um coração que muitas vezes esteve no ápice da sua dor e que, por pouco, quase parou. Aqui jaz o sofrimento e todas as coisas ruins que esse coração carrega. Olheiras profundas, olhos pesados, lágrimas ácidas. Algemas presas à solidão. O lado mais sombrio e solitário que se pode ter dentro de si. Tudo, absolutamente tudo, será enterrado de uma vez por todas aqui. E o tudo inclui você. Melhor dizendo, o tudo costumava ser você. Você e todas aquelas coisas - qualidades, defeitos, manias - que te transformavam no melhor ser humano do mundo. Você e toda aquela sua lábia errada que te fazia ser alguém essencial na minha vida. Aqui jaz esse alguém. O alguém que eu pensei que realizaria todos os meus planos no futuro e seria todos os meus sonhos no presente. O alguém que fez com que eu derrubasse os muros que isolavam o meu mundo dos demais apenas pra vê-lo sorrir, não me importando se isso me fizesse chorar. Aqui jaz lágrimas. Lágrimas que foram derrubas em vão diversas vezes por erros e culpas que não foram minhas. Lágrimas que mais pareciam uma enxurrada de dor acumulada no peito. E você era o motivo por todo esse acumulo. Aqui jaz uma boa filha, boa amiga, boa neta, boa sobrinha e boa namorada: eu. Uma menina que se viu mulher da noite pro dia e, na noite seguinte, voltou a ser apenas uma menina. Frágil, boba, inocente, perdida, burra, usada. Tudo de bom e de bonito que eu tinha por dentro de toda essa pele e carne e ossos e veias, enfim, você me roubou. Você levou de mim tudo o que, de fato, era meu. Assim como quem assalta bolsas, carteiras ou celulares, você assaltou a minha confiança, a minha auto estima e a minha vontade de viver. Aqui jaz a minha vida e tudo o que eu era antes de você ter entrado nela. O canto dos pássaros, o brilho das estrelas, o barulho das ondas quebrando no mar, o choro da criança desapontada, o riso do velhinho sentado no banco da praça, o cheiro do pão saindo do forno… Tudo acaba de morrer. Virou cinzas. Agora me vejo repleta de cicatrizes internas. Qualquer coisa que passa por mim não me atravessa mais. E mesmo que soe ridículo, parece ser mais doloroso não sentir nada à sentir as decepções do mundo inteiro. Nenhum sentimento, pra melhor ou pra pior, eu sou capaz de sentir novamente. O vazio, o oco e o opaco tomaram conta das minhas entranhas de felicidade e formaram abismos por onde quer que eu passe. O quente do conto de fadas se derreteu e sobrou apenas a parte mais gélida do conto - desta vez, sem fadas. Aqui jaz um amor. Um amor capaz de superar todos os outros amores existentes, apenas pelo fato de ter tomado conta de mim. Um amor com alma de criança levada e coração de gente adulta. Aquele amor que cega os olhos e ensurdece os ouvidos. Eu o tive. Ou melhor, ele me teve. Como um fantoche que se controla, eu me senti incapaz de lutar contra algo que estava dentro de mim. Me rendi, sei bem. Me entreguei de peito aberto, mergulhei de ponta cabeça, andei nas pontas do dedos e depositei toda a minha confiança em um par de olhos castanho-esverdeados. Agora estou pagando por isso. É mais seguro ter alguma carta escondida embaixo do braço, eu sei, o problema é que quando se ama, também não se pensa. Acabei apostando tudo, sem me dar conta do tamanho da imaturidade que estava fazendo. E tudo o que eu fui, tudo o que eu era ou tudo o que eu pensava ser foi pro ralo. Agora, estou tendo a chance de recomeçar do zero, com novos objetivos, motivos e princípios de vida. O mundo acaba de nascer outra vez pra mim e, principalmente, eu acabo de nascer outra vez pro mundo. Aqui jaz um passado que não merece ser lembrado."
"Um babaca sempre dá pistas de que é um babaca. Não tem jeito ou santo que cure: quem nasceu pra ser babaca, vai morrer babaca. É fácil identificar homens dessa espécie - por mais que soe estranho, eles são uma espécie que cresce cada dia mais, acredite. Aquele cara que não retorna as suas ligações ou não reponde as suas mensagens, com toda a certeza do mundo, é um babaca. Que tipo de ser humano em sã consciência ignoraria uma mulher como você? A resposta é simples: babacas não pensam. Babacas não sabem dar valor ao que têm em mãos e, exatamente por isso, são chamados assim. Babaca é aquele outro cara que mente olhando nos seus olhos e quebra as promessas que faz, porque babaca que é babaca não tem peito estufado o bastante pra fazer valer a sua palavra. Os babacas geralmente são encontrados em lugares onde o nível de álcool e bunda são maiores. Porque, definitivamente, babaca que se preze não entra em livraria, mas passa cinco ou seis horas dentro de uma academia pra atrofiar o cérebro. Babaca que é babaca vai te ligar bêbado te querendo como última opção e, como se não bastasse, irá deixar isso claro. O babaca vai dizer que te ama até o momento em que o que você tiver pra oferecer não o servir mais. Babaca que é babaca vai te fazer sentir um lixo de pessoa, de mulher, de filha, de amiga. Babacas tem o instinto de arruinar a nossa vida, a nossa auto-estima e o nosso bem estar. Aquele cara que xinga uma mulher, que briga só por brigar e que ri dos outros em uma mesa de bar, não tem pra onde correr: é babaca. Porque babaca nunca admite ser babaca, mesmo sabendo que é. Assim como quem gosta de um babaca nunca admite gostar de um babaca, mesmo sabendo que gosta."
"Entenda, eu não estou pedindo pra que você aceite. Eu só quero que você entenda que é amor. O padeiro e o jornaleiro entenderam e concordaram que, sim, é amor. Porque você não pode fazer o mesmo, então? Em qualquer língua, em qualquer maneira de ver, em qualquer modo de demonstrar… É amor. Se não fosse, certamente eu não estaria aqui, agora, ajoelhado, com essa cara de cachorro que fez burrada e admite isso. Me perdoa. Ou melhor, perdoa o sentimento. Perdoa essa coisa que sobe do coração pra cabeça e me faz fazer coisas imbecis. Coisas que não se faz quando se ama, mas eu faço. O meu amor é diferente, é complicado, é cheio de curvas no caminho. Diz que você aceita ele mesmo assim, vai. Me bate, me xinga, me joga do abismo, mas, por favor, corre e esteja lá embaixo pra me segurar. Eu já aprendi a lição, juro que sim. O mundo não é mundo sem você. E, olha, eu te juro, de todas as coisas do universo, a única coisa que eu jamais pensei que falaria fosse isso. Você sabe, essa coisa de seu-mundo-é-o-meu. Acho ridículo. Ou achava. Estou me sentindo um ridículo agora, mas nada se compara ao meu estado deprimente depois de tudo aquilo que aconteceu entre nós. Volta, vai. Quer dizer, vem. Corre pros meus braços e, simplesmente, vem. Esse idiota aqui continuará sendo um completo idiota se isso acontecer. Mas, dessa vez, serei um idiota com algum valor."
"Você queria tudo rápido demais. Eu só podia te oferecer o pé, mas você queria a perna inteira. E eu te daria as duas pernas se preciso fosse. O problema era que você não merecia. Não ainda. Eu falava em jantar no próximo sábado, enquanto você planejava o nosso casamento. As coisas não são assim. Dê tempo ao tempo que eu me dou a você, quem sabe. Não pula o presente e vai logo pro futuro. Eu ainda quero viver o hoje. Talvez, quem sabe, possamos pensar - juntos - em algo além do próximo mês. Uma viagem, quem sabe? Mas você fala em filhos. E em empregada pra nossa casa. Meu Deus, você fala em casa. E eu continuo aqui, querendo saber quando vou receber o meu próximo salario, apenas. Nós poderíamos dar certo se você não corresse nos trilhos. Não te falaram que andar neles é mais cuidadoso? Eu não quero cair. Você também não. Então, pra que escrever de caneta algo que podemos começar à lápis? Vamos com calma. Inspire ar para os pulmões. Agora, expire. Viu? Tudo no seu tempo e nós no nosso. É simples. É a regra. É a lei da vida: você quer e pode ter, basta merecer. Enquanto você praticamente gritava nas entrelinhas “me ama, porra!”, eu respondia no mesmo alto e bom som: “então me cativa, caralho!"
"Eu tentei ser uma pessoa melhor, juro que tentei. Pensei que estava trilhando o caminho errado, andando pra direção errada, me sentindo cada vez mais errada. Virada de cabeça pra baixo, como uma peça que não se encaixa no quebra-cabeças do mundo. Tentei, de verdade, trabalhar com esse meu lado meio bipolar de ser. Emoções a flor da pele não é uma característica fácil de lidar. É um saco querer chorar, sorrir, bater, abraçar, ninar e gritar ao mesmo tempo. É estranho contar piadas na frente de todo mundo e, der repente, se isolar porque o lado triste de ser pesa sem hora marcada. Não tem jeito, não há solução, não existe macumba ou algo do gênero: eu serei pra sempre essa grossa, arrogante, estúpida, ignorante e bruta. A minha sinceridade exagerada dói na maioria das vezes, eu sei, mas o que me resta a fazer? Se eu fosse meiga, delicada, fresca, cheia de não-me-toques, bem, a verdade seria que eu não seria eu. Descobri, depois de todos esses anos fingindo ser uma personagem que não cabe no meu papel, tentando alimentar um lado meu que nunca existiu e cultivando o que os outros esperavam de mim, acima de tudo, uma coisa: não vale a pena a gente ser o que a gente na verdade nunca foi. Aprendi a gostar dos meus defeitos, por mais que eles soem ácidos e irrevogáveis. Em algum lugar do mundo, por mais que escondido que seja, existe alguém capaz de gostar de mim assim, com cabelo molhado e shorts rasgado. O meu pior lado é o melhor lado que alguém procura em outro alguém, disso eu tenho certeza. Cansei de viver sendo mandada por um roteirista que não entende nada de bem estar, auto estima ou coisas do gênero. Esse roteirista se chama sociedade. Mas, a partir de agora, quem comanda o meu espetáculo é um diretor que me conhece melhor do que ninguém. E esse diretor tem o meu nome."